A Carta de Theo

A Carta de Theo

Durante os dias em que o Samalea esteve visitando-me, tivemos vários momentos engraçados e papos delirantes sobre muitas coisas que aconteceram e outras tantas que ainda acontecerão. Quase sempre os papos mais divertidos rolavam durante as refeições.
Numa das noites, entre uma pizza e uma taça de vinho, estávamos falando sobre os arquivos digitais, velocidade, imediatismo e possibilidades da era “internética”.
Sobre os emails, comentávamos de como é fácil a comunicação quando se está viajando! Pelo skype, liga-se pra qualquer lugar do mundo sem a preocupação do custo! Uma barbada!!
Quando viajávamos à Europa, ou outro lugar do exterior, nos anos 80 até metade dos 90, dava-se um “tchau” na partida, um “oi” na volta e era isso… ninguém ficava ligando ou mandando cartas, pois estas chegavam sabe-se lá quanto tempo depois e telefonar acabaria com os ralos dólares que bancavam a aventura transoceânica!

Nesse momento da conversa, Theo interrompeu-nos com uma conclusão contundente sobre essa realidade que tínhamos:

- É por isso que colocavam data na carta! Por que ela levava muito tempo para chegar!

Parece um tanto óbvio a todos que viveram o tempo das cartas enviadas em envelopes, com selo, nas estações de correio. Mas para um garoto que nasceu quando a internet já navegava em ADSL é uma descoberta importante que explica o porquê das coisas.
Não existe, hoje, a possibilidade de uma comunicação não ser instantânea – a não ser por romantismo!

A carta tinha data para mostrar quando havia sido escrita e para, na data em que fosse entregue, deixasse claro que haveria um hiato existencial dos fatos entre o dia da redação e o dia em que o destinatário receberia. É incrível! Parece coisa do século passado – e é!
Minha mãe ficaria fascinada e diria o quanto gosta das possibilidades que o mundo digital descortinou frente aos seus olhos na tela do seu lap! Não é mãe?

Bjs,
nvs

De vez em quando me perguntam…

De vez em quando me perguntam…

De vez em quando me perguntam por que falo tanto sobre comida.
Falo tanto de comida porque gosto! Gosto de comer, de cozinhar e compartilhar refeições feitas com carinho junto àqueles cuja companhia me faz bem!

De vez em quando me perguntam por que falo tanto de golfe.
Falo tanto de golfe porque é um esporte fantástico! Descobri e entendi que é um jogo de desafio pessoal – uma imagem muito diferente do que as pessoas, normalmente, vêem – e isso me instiga! Ajuda na minha busca de superação e concentração, dando foco ao que me interessa! Golfe é só um esporte esnobe – diz isso quem não conhece!

De vez em quando me perguntam por que não falo muito de música.
Não falo muito de música, pois entendo que a música que faço fala tudo que tenho pra falar sobre música.

Bjs,
nvs

Diamantes e Caviar

Diamantes e Caviar

Diamantes são, certamente, o desejo máximo de 10 entre 10 mulheres. O são, também, para os homens que almejam o poder simbólico que eles trazem quando podem comprá-los e presenteá-los às suas garotas!
Mas, debaixo da superfície de luxo, exclusividade e glamour, os diamantes trazem uma longa história de perversidades mimetizadas em cada quilate, em cada face lapidada. Cada gota de suor e sangue, cada metro de chão aberto e esfolado, cada árvore derrubada e mata desvirginada contribui, com a própria existência, para o brilho da pedra do desejo.

Com o caviar não é muito diferente.

O esturjão, fadado à extinção, tem comprometido cada um dos seus possíveis filhotes e sucessores existenciais à sucumbência fugas carregada pelas torradinhas quentes das festas vip’s.

É fácil fazer um drama e arrebatar os apaixonados defensores da vida e da natureza que encontram-se sempre à espera do próximo chamado!

O chamado não existe. O chamado não será feito.

Diamantes e caviar expressam o que todos, que admitem ou não, querem ser e querem possuir. Esse é o programa que vem sendo instalado em cada indivíduo social, em cada ser humano.
A perversidade da obtenção do prazer e o custo imposto àquilo que nos rodeia é, propositadamente, desprezado e diminuído para que a roda siga girando, para que a culpa não se instale. Alguns se questionam de tempos em tempos, outros mergulham de cabeça e sem culpa – simplesmente vivem a vida como ela se apresenta, sem questionamentos.

Pensar pesa, mas bonifica.

Cada diamante tirado do solo e cada esturjão morto para que suas ovas sejam transformadas no manjar dos deuses – ainda que, antigamente, fosse comida de porcos – testemunha o que somos. Não nos é dada uma escolha, ou melhor, nos é dada apenas uma, que é a que temos.
O mundo é um indivíduo e deve ser o indivíduo que decide seu presente. Não adianta pensar no futuro, não adianta considerar o passado: é tudo uma ilusão.
Ter um olhar consciente, uma visão desapegada, te dá lucidez pra seguir adiante, comprar um anel de diamantes para a sua amada, enquanto saboreia uma torrada quentinha coberta com o autêntico caviar beluga!
Desfrutem da vida!
Beijos,
nvs